Até porque, tratar o paciente como um todo melhorará a probabilidade de recuperação e remissão do transtorno por uso de substâncias. Conforme discutido acima, os pacientes em tratamento podem ter distúrbios psiquiátricos concomitantes, como depressão e ansiedade, bem como outros problemas médicos, como hepatite C, doença hepática alcoólica ou doenças sexualmente transmissíveis. As clínicas de reabilitação ainda causam grande dúvida — e até mesmo estranhamento por falta de conhecimento, embora o cenário necessite de um olhar diferente.
Eles também podem usar incentivos motivacionais para recompensar os pacientes pela frequência e abstinência contínuas. Assim, técnicas para esclarecer os papéis da família, reformular o comportamento, ensinar habilidades de gerenciamento, incentivar o monitoramento e o estabelecimento de limites, planos de re-intervenção e ajudá-los a acessar os serviços comunitários ajudam a fortalecer todo o sistema familiar. Por essa razão, é preciso contar com um corpo clínico completo em sua clínica, que inclui médico integrativo, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas e fisioterapeutas, por exemplo. Efeitos da acupuntura auricular na ansiedade de universitários antes da época de exames (Dissertação de candidatura para mestrado). O Censo da Educação Superior realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira e MEC, efetuado em 2015, revelou um aumento importante na taxa de desistência do curso de ingresso na graduação dos estudantes de 2010 a 2014 no Brasil, sendo que, em 2014, a evasão alcançou 49% (INEP, 2015; Brasil, 2016).
Para que serve uma clínica de reabilitação?
Por fim, Carla Cristina Adda encerra a primeira parte onde descreve que a self-awareness ou autoconsciência pode contribuir para o processo de RC. Relatou que práticas corporais e meditativas ofertadas na APS são relacionadas ao favorecimento da autonomia (pela construção de referências de saúde via autoconhecimento), à união entre promoção e cuidado terapêutico e ao apoio ao acesso a bens culturais e espaços de cidadania. Para os autores, a pluralização terapêutica do SUS e da APS via internação involuntária de dependentes químicos oferta de PICS tem um positivo, embora limitado, potencial desmedicalizante, podendo pelo menos consistir em algo como uma estratégia de redução de danos. Entretanto, é importante observar compromissos e interesses privados que, não raro, se fazem presentes na gestão do SUS, direcionando decisões, políticas e ações em vários níveis, incluindo as práticas profissionais (por exemplo, quando há a chamada dupla militância, em que profissionais atuam simultaneamente no SUS e fora dele).
Diferença entre medicina integrativa e tradicional
Contudo, a principal vantagem da Medicina funcional ou integrativa é utilizar uma proposta complementar para tratar doenças. Isso possibilita redução de medicamentos ao usar diferentes métodos terapêuticos, atuando diretamente no local do problema. Porém, é importante deixar claro que as terapias alternativas propostas por esse método visam complementar a Medicina tradicional, não a substituindo. Essa abordagem mais abrangente e personalizada para cada indivíduo tem como propósito identificar causas de doenças e encontrar os melhores tratamentos para possibilitar a cura. A partir desse método integrado e humanizado, é possível melhorar a forma como o corpo do paciente interage com o psicológico e as emoções. Desta forma, os esforços institucionais devem também abarcar o delineamento de projetos transdisciplinares, não só no âmbito do ensino, mas em todos os restantes aspectos da vida universitária.
Além das próprias questões de logística médica, a redução de procedimentos ou cirurgias torna o tratamento mais humano e menos agressivo. Um paciente com fortes dores na lombar pode combinar os remédios tradicionais e sessões de fisioterapia com a acupuntura. Assim, o tratamento levará alívio e alegria para ele, fazendo com que tenha mais chances de recuperação.
A integração parte do reconhecimento de possibilidades e alternativas que podem ser assimiladas entre duas perspectivas; exige questionamentos capazes de semearem reflexões e reorganizações com a devida coerência. Acreditamos na possibilidade de uma integração, desde que pensada em termos complexos, não guiada por uma razão reducionista, estática, mas por um raciocínio dialógico, que não reduz as diferenças, mas preserva a dualidade em convivência com as complementariedades possíveis. Fabrício Selbmann é psicanalista, palestrante sobre Dependência Química e diretor do Grupo Recanto – rede de três clínicas de tratamento para dependência química e saúde mental, referência no Norte e Nordeste nesse segmento. A primeira parte contempla os capítulos de 01 a 05, e aborda aspectos que devem ser considerados sobre a RN.
Psicose: Sintomas, Causas e Tratamentos
A ativação e o fomento dessa força – o protagonismo e a agência dos usuários – é importante, complexa e merece atenção para além do escopo deste artigo, mas tecemos alguns comentários a respeito. Uma característica relevante de várias PICS relacionada ao protagonismo dos usuários e com íntima interface com a questão da medicalização é sua maior riqueza de significação, de comunicação, de estímulo e de variedade de práticas para o autocuidado. Isso é substancialmente desejável em problemas crônicos e também nas miríades de problemas cotidianos de saúde e sofrimentos existenciais muito prevalentes na APS e de boa evolução, chamados por vezes de inespecíficos, frequentemente sobremedicalizados. Isso também é relevante para pessoas saudáveis de qualquer idade, como enriquecimento cultural em cuidado e saúde. Focaremos nosso escopo analítico na dimensão reabilitadora do AT, examinando-a mediante comparação aos princípios clínico-epistêmicos derivados da proposta de Reabilitação Psicossocial de Benedetto Saraceno (1996; 1999)1.
De acordo com Tales e seus discípulos, a natureza é uma entidade dinâmica, em constante transformação, que se renova indefinidamente em formas e criações . Essa visão foi criticada por outra escola pré-socrática, a de Parmênides, que defendia ideias opostas às de Tales, afirmando que o essencial nunca pode se transformar. Talvez se possa identificar nessa ideia o germe da concepção de uma entidade eterna, transcendente, que está além das transformações, e que considera a mudança menos fundamental que a essência primeira. A partir dessa constatação, é possível afirmar que o debate entre o eterno e o novo, o Ser e o Vir-a-Ser, já havia começado no Ocidente há cerca de 2.500 anos. Entendendo a clínica de reabilitação como uma forma de recomeço, o paciente tem a possibilidade de mudar pensamentos, crenças irracionais e atitudes nocivas causadas pelo vício. Se você é médico, fisioterapeuta, nutricionista, psicólogo ou outro profissional da saúde, precisa saber que a medicina integrativa exige estudo e dedicação, assim como todas as áreas da saúde.
Atualmente, na Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo há grande número de voluntários, muitos deles sem qualquer formação ou especialização em saúde, que conduzem grupos de práticas corporais e meditativas junto às unidades de saúde. São pessoas comuns da população que trabalham, inclusive, na construção de canteiros de plantas medicinais, resgatando seu uso popular e tradicional no combate a inúmeros problemas de saúde, especialmente aqueles ligados à assistência primária em saúde. Há hoje na SMS-SP mais de 150 hortas de plantas medicinais, muitas delas construídas e mantidas por voluntários. As evidências científicas da eficácia das estratégias de intervenção e técnicas da RC são apresentadas nos capítulos 10 a 16 da terceira parte. A autora do livro é quem escreve o décimo capítulo, onde ela busca demonstrar as revisões sistemáticas que baseiam as recomendações das boas práticas em RC com o objetivo de minimizar as deficiências intelectuais e melhorar as habilidades sensoriais, psicomotoras e comportamentais, aumentando assim a independência do indivíduo. Descreve também as principais evidências científicas em RC em outros transtornos psiquiátricos e em crianças.